• José Rosa

O VINHO NA IDADE MÉDIA


O vinho é, talvez, a bebida alcoólica que possui maior presença em relatos históricos das civilizações antigas. A história do vinho tem grande importância histórica, pois o seu surgimento em tempos remotos tornou-o um produto que acompanhou grande parte da evolução ecônomica e sociocultural de várias civilizações ocidentais e orientais.

Por mestre desconhecido

Domínio Público], via Wikimedia Commons

Cada cultura conta seu surgimento de uma forma diferente. Os cristãos, embasados no Antigo Testamento, acreditam que foi Noé quem plantou um vinhedo e com ele produziu o primeiro vinho do mundo. Já os gregos consideraram a bebida uma dádiva dos deuses.

A simbologia que essa bebida engendra no texto bíblico e em mitos, como o do deus grego Dionísio (Baco, para os romanos,), é terminantemente singular.

Do ponto de vista histórico, sua origem precisa é impossível, pois o vinho nasceu antes da escrita. Os enólogos dizem que a bebida surgiu por acaso, talvez por um punhado de uvas amassadas esquecidas num recipiente, que sofreram posteriormente os efeitos da fermentação. Mas o cultivo das videiras para a produção do vinho só foi possível quando os nômades se tornaram sedentários. Existem referências que indicam a Geórgia como o local onde provavelmente se produziu vinho pela primeira vez, sendo que foram encontradas neste local graínhas datadas entre 8000 a.c. e 5000 a.c

A IDADE MÉDIA

A Idade Média na Europa foi um período de cerca de mil anos que começou com a queda do império romano no ano 476 d.C. e terminou na Renascença e na Idade das Descobertas no século XV. Este período também ficou conhecido como a Idade das Trevas, devido à deterioração intelectual, econômica e cultural que ocorreu.

No quinto século d.C, as diversas ondas de ataques dos bárbaros destruíram tudo o que o império romano havia construído e acabaram com a segurança das pessoas, levando à desorganização das cidades, da vida urbana, dos sistemas de leis e dos meios de transporte. A vinicultura, que havia sido estabelecida em todo o império, se viu ameaçada diante da desorganização e falta de segurança.

O Vinho na sociedade medieval

Na Idade Média, a preocupação com a pureza da água, as recomendações médicas e seu valor de menos prestígio a faziam menos favorecida, sendo preferidas as bebidas alcoólicas. Estas eram vistas como sendo mais nutritivas e benéficas à digestão que a água, com a inestimável vantagem de serem menos propensas à putrefação por conter álcool.

Domínio Público], via Wikimedia Commons

O vinho era consumido diariamente na maior parte da França e no oeste do Mediterrâneo onde houvesse cultivo de uva. Mais ao norte, permanecia a bebida preferida da burguesia e da nobreza que pudesse adquiri-lo, sendo muito menos comum entre camponeses e trabalhadores.

Nos países do sul da Europa, ao longo do mar Mediterrâneo, o cultivo da uva vinífera era muito mais fácil que no norte devido ao clima mais quente. Nesta região, o vinho era a bebida de todas as classes sociais – do servo ao rei.

Já nos países do norte, o vinho era um artigo de luxo, não sendo produzido localmente e trazido por monges viajantes ou comerciantes. O vinho era a bebida dos castelos, dos reis, lordes, e da burguesia que começava a se formar nas cidades mais ricas, enquanto que a cerveja era a bebida favorita dos camponeses e servos.

A quantidade de vinho produzida pelos mosteiros era, claramente, muito maior que a necessária para suprir as necessidades dos monges e dos rituais da Eucaristia. Esse excedente era vendido para os servos, lordes e cidades que foram aparecendo ao longo da Idade Média.

A maturação do vinho tinto de qualidade requeria conhecimentos especializados e depósitos e equipamentos caros, o que resultava num produto final ainda mais caro. A julgar pelas recomendações dadas em muitos documentos medievais sobre como recuperar o vinho que dá sinais de que estava estragando, a conservação deve ter sido um problema muito difundido.

No século XIV o livro de receitas Le Viandier trazia vários métodos de se recuperar o vinho que estava se estragando; certificando-se de que os barris de vinho estivessem sempre cheios, ou adicionando uma mistura de uvas brancas secas e fervidas com as cinzas de sedimentos de fermentação de vinho branco secos e queimados, eram ambos bactericidas eficazes, mesmo que o processo químico não fosse entendido na época. Vinhos com especiarias não eram somente populares entre os ricos, como também considerados especialmente saudáveis pelos médicos. Acreditava-se que o vinho agia como um tipo de vaporizador e condutor de outros alimentos para todas as partes do corpo, e a adição de especiarias fragrantes e exóticas tornava-o ainda mais benéfico. Vinhos condimentados eram usualmente fabricados misturando-se o vinho tinto comum com um sortimento de especiarias como gengibre, cardamomo, pimenta, pimenta guiné, noz-moscada, cravo e açúcar. Essas eram contidas em pequenas bolsas, que eram postas em infusão em vinho ou tinham o líquido derramado sobre elas para produzir o hypocras (vinho aromatizado com condimentos fragrantes, podendo ser aquecido) e outros tipos de vinho. Por volta do século XIV, misturas assim empacotadas poderiam ser compradas prontas dos mercadores de especiarias.

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