• José Rosa

Vinho do Mortos - O vinho que alegra os vivos !

O vinho que sobreviveu a invasão Napoleônica e continua mais vivo do que nunca !

A Primeira invasão francesa de Portugal insere-se, por um lado, no plano de Napoleão Bonaparte para impor o Bloqueio Continental a toda a Europa , visando a acabar com o poderio econômico e militar do Reino Unido; por outro lado, enquadra-se na dinâmica expansionista da França Napoleônica.


Entre 1807 e 1810, Napoleão ordenou três invasões a Portugal, país que se recusou a aplicar o Bloqueio Continental, mas em todas elas ele foi derrotado.

E a outra derrota das tropas Napoleônicas foi com relação aos saques que faziam durante as batalhas. Os soldados roubavam os valores dos Portugueses entre eles o vinho! Foi então que os vinhateiros portugueses resolveram proteger seus vinhos e a maneira encontrada foi enterrando os seus vinhos.


O vinho foi enterrado no chão das adegas, debaixo das pipas e dos lagares. Mais tarde, quando recuperaram os bens que restaram e ao desenterrarem o vinho, julgaram-no estragado.


Para surpresa dos vinhateiros o vinho desenterrado estava ainda melhor, a bebida das garrafas estava com sabor maravilhoso, um vinho com graduação de 10º/11º, e uma gaseificação natural em função da temperatura constante e da escuridão.

Esta prática foi assumida por alguns produtores e virou uma tradição durante muitos anos, principalmente na região Trás-os-Montes e ganhou nome de VINHO DOS MORTOS. Outro nome conhecido também foi de “Mortos de Boticas” por ser muito cultivado em Vila de Boticas.


Todavia com a evolução da produção de vinhos em todas as regiões portuguesas a tradição foi se perdendo até que uma Cooperativa em Boticas a Capolib (Cooperativa Agrícola de Boticas (Alto Trás-os-Montes) criou um projeto para recuperar e preservar a bebida tradicional, inicialmente com uma inscrição no Registro Nacional de Propriedade Industrial e estudou um melhor Terroir. Hoje os “Vinhos dos Mortos” podem se comprados inclusive pela Internet na época da safra.


COMO É A PRODUÇÃO DO “VINHO DOS MORTOS”


Como todo bom vinho, a elaboração do Vinho dos Mortos é constituída por várias fases que dão origem a um vinho único. Este processo sofre um rigoroso processo de controle, sendo que o resultado final só é obtido, caso todos os processos sejam respeitados executdos de acordo com o planeado.

O processo começa em meados do mês de Novembro, coma a fase da plantação de novas castas, estas plantações apenas devem ser feitas em encostas poentes de Boticas.

Em Fevereiro é feita a poda das videiras, aduba-se e cava-se a vinha. Passados dois meses é feita a enxertia, o que leva as videiras a começar a rebentar com o calor da primavera.

A próxima fase é a das caldas de enxofre e sulfato, que se prolongam até à primeira semana de Agosto.


O momento mais alto do ano, a desejada vindima é realizada na primeira semana de Outubro. São dias de tradicional festa, onde se apanha a uva que vai dar origem ao Vinho.

Após o transporte das uvas para o lagar o método de esmagar ainda é o tradicional em que são pisadas pelos homens que vindimaram.


Durante cerca de seis dias o vinho começa a fermentar e mantêm-se no lagar por este período, passado estes dias o vinho é retirado do lagar e vai para as pipas, onde continua a fermentação. Após o vinho já ter atingido a fermentação malolática, começa a fase de certificação. Quando esta estiver aprovada, é engarrafado.


Surge depois a fase mais emblemática de todo o processo. O vinho é enterrado debaixo das pipas e do lagar e cobre-se com saibro para estar a uma temperatura constante e sem claridade, onde fica cerca de seis meses.

Por fim, no mês de Junho, chega a altura de provar a colheita do ano anterior.



É hora de provar o Vinho dos Mortos, a alegria dos vivos !




O VINHOS DOS MORTOS NO BRASIL


Em São Roque (SP) alegra-se os vivos com o vinho dos mortos. Essa tradição portuguesa do início do século 19 é relembrada todo terceiro sábado do mês na Quinta do Olivardo.

O jantar do Vinho dos Mortos é recheado de cores e sabores onde se desfruta dos deliciosos pratos da gastronomia portuguesa ao som de fados.


Crédito: Sebastião Moreira/DivulgaçãoTradição portuguesa do vinho dos mortos renasce na Quinta do Olivardo


Durante o evento os participantes podem enterrar uma garrafa de vinho, preenchendo uma ficha informando o lote e a data em que a garrafa foi enterrada. Após seis meses eles são avisados sobre a data do próximo jantar do vinho dos mortos e voltam para desenterrar a garrafa.


Para deixar o ambiente no clima das casas do século 19, o local fica iluminado apenas com tochas e velas, onde os visitantes também podem desfrutar do serviço de restaurante e apreciar clássicos da música portuguesa com a interpretação ao vivo de uma fadista.



Jantar do Vinho dos Mortos

Onde: Estrada do Vinho, km 4, com acesso pelo km 58,5 da Rodovia Raposo Tavares (SP-270)

Quando:  Todo terceiro sábado do mês

Horário: a partir das 20h

Reservas:(11) 4711-1100 ou (11) 97088-5401

Informações:www.quintadoolivardo.com.br

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